Zeólitos raros

     Esta página é dedicada a pequenas descrições de espécies do grupo dos zeólitos que sejam menos frequentes e que estejam na minha colecção.
 

Paulingite

 
    A Paulingite foi pela primeira vez descrita a partir de amostras provenientes de Rock Island Dam, Wenatchee, Washington, EUA. Mais tarde foi reclassificado tendo-se agora: Paulingite-K, Paulingite-Na e Paulingite-Ca . Este zeólito, pouco comum, ocorre como dodecaedros rômbicos, incolores ou levemente tingidos de amarelo a laranja, em cavidades cobertas por esmectite onde alcançam dimensões entre 0.5 e 3 mm.
As localizações não são numerosas mas na minha colecção possuo Paulingite-Ca da localidade tipo, Three Mile Creek (oregon, EUA), de Vinariche Horna (Kladno, República Checa) e Port Ganny (Irlanda do Norte). A minha amostra de Paulingite-K é de Chase Creek (Colúmbia Britânica, Canadá).
 

Bikitaite

 
    A Bikitaite é um zeólito raro apenas conhecido em duas localizações: Bikita, Zimbabué (localidade tipo) e Foote na Carolina do Norte (link externo demonstrativo... não é da minha colecção), EUA. Pertence ao grupo da Mordenite e é um zeólito de lítio Li[AlSi2O6].H2O  o que o torna menos vulgar. Por outro lado é o único zeólito natural com cadeias de água monodimensionais. O meu exemplar é proveniente de Foote Mine e possui cristais facilmente visíveis a olho nú sobre matriz quartzosa e foi obtido por troca com Bill Wall que o terá recolhido nos anos setenta.
 

Boggsite

 
     Boggsite é outro zeólito ortorrômbico  raríssimo apenas conhecido, até ao momento, na sua localidade tipo: Neer Road, Goble, Columbia County, Oregon. Foi assim nomeado em 1990 por Donald G. Howard, Rudy W. Tschernich, Joseph V. Smith, e  Gerald L. Klein em honra a Robert Maxwell Boggs, que descobriu a tschernichite, e Russell Calvin Boggs que caracterizou esse zeólito.
 
Esfera milimétrica de Boggsite sobre Tschernichite, Neer Road, Goble, Oregon.
 

Gobbinsite

 
    O zeólito Gobbinsite  foi descrito a partir de exemplares, de aspecto fibroso, colectados em basaltos terciários de  Gobbins, Antrim, Irlanda do Norte, estando o exemplar tipo  (I7881) preservado no Ulster Museum. Outras localizações na Irlanda do Norte incluem a pedreira de Magheramorne Quarry, Lane, onde foi encontrada em intima associação com Phillipsite e Island Magee onde se revelou muito rica em K.
    Outras localizações mundiais: rochas basálticas de Rebiszow, Baixa Silésia, Polónia; em amígdalas de traquibasaltos alterados de Kuniga, Ilhas Oki, Japão; Monte de  Saint-Hilaire, Quebeque, Canadá;
    O meu único exemplar de Gobbinsite  é proveniente de Saint-Hilaire e é constituido por uma miniatura com excelentes microcristais, aliás únicos no mundo, acompanhados por outros zeólitos como Phillipsite-Na e Chabazite. Exemplar adquiridos a Horváth em Julho de 2007.
 
Bibliografia:
 
ADAMCZYK, Z. (2002) Zeolites in  Tertiary Basaltoids from Rebiszów, Archiwum Mineralogiczne, T. LIV, 2001-2002, pp 23–32
 
ARTIOLI, G. e FOY, H. (1994) Gobbinsite from Magheramorne Quarry, Northern Ireland, Mineral. Mag., 58, pp 615-620.
 
FUMIHIKO, M. e SATOSH, M (2000) Gobbinsite from Kuniga, Dozen, Oki Islands, Shimane Prefecture, Japan, Japanese Magazine of Mineralogical and Petrological Sciences, VOL.29,  4, pp 129-135
 
HORVATH, L. e GAULT, R. A. (1990) The mineralogy of Mont Saint-Hilaire, Quebec. Min. Rec., 21, pp 283-359.
 
NAWAZ, R. e MALONE, J.F. (1982) Gobbinsite, a new zeolite mineral from Co. Antrim, N. Ireland. Mineral. Mag., 46, pp 365-369.
 

Merlinoite e Montesommaite

 
    O zeólito Merlinoite, assim denominado em honra de Stefano Merlino Professor de cristalografia da Universidade de Pisa,  foi descrito em 1977 por Passaglia, Pongiluppi,  e Rinaldi. Na minha colecção possuo um MM que apresenta a raríssima Merlinoite associada a outro zeólito raro: a Montesommaite.É referenciado nas seguintes localidades: Cupaello e Valle Beachella em Itália; em Häowenegg e Ortenberg na Alemanha; Maciço de Khibiny, Península de Kola, Rússia; Searles Lake, Califórnia, EUA e no Oceano Indico.
 

Tschernichite

 
     Alguns espécimes de Tschernichite foram encontrados por Rudy W. Tschernich  em Goble no ano de 1972. Nessa altura foram confundidos com  apofilite. Em meados dos anos 80 a observação de exemplares levou à conclusão que seria um novo zeólito. Os exemplares de Tschernichite foram encontrados no topo de um pequeno afloramento basáltico em Goble Creek. Esta zona é formada pela chamada Série Vulcânica Eocénica de Goble   e consiste em basaltos porfiríticos, escoadas basálticas, piroclastos e ocorrências menores de sedimentos. Os exemplares deste raro zeólito foram encontrados numa pequena área de com cerca de 3x2 m por 1 m de espessura. Outras ocorrências citadas para este zeólito são os doleritos jurássicos de Ferrar, Mt. Adamson, Northern Victoria Land, Antártica; Pedernal, Costa Rica, Waitakere, Nova Zelândia e Markaz na Hungria.
    Os cristais de Tschernichite, com dimensões que vão de 0.1 mm até raramente 1 cm, ocorrem sob a forma de bipirâmides tetragonais terminadas, geralmente, por uma pequena face de pinacóide basal (fig A). Esta espécie apresenta-se muitas vezes maclada por reflexão em {101}, {302} e {304} (fig B, C e D). Maclas múltiplas podem resultar em agregados complexos de forma esférica (fig E e F).
 
(Segundo Boggs, R. et al)
 
Bibliografia: C. Boggs, R. et al. Tschernichite, a new zeolite from Goble, Columbia County, Oregon. American Mineralogist; August 1993; v. 78; no. 7-8; p. 822-826
 
 
Cristais de tschernichite da localidade tipo, área fotografada com cerca de 8 mm, coleção e fotos de Ricardo Pimentel.